Traduzido - Capítulo 5

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Mensagem por Maryah em Qui Abr 22, 2010 4:08 pm

CAPÍTULO 5 - O Círculo Secreto

“Nunca mais me assuste desse jeito!” Callie reprimiu Luce na tarde de quarta-feira.
Foi logo depois do pôr do sol, e Luce estava dobrada dentro do cubículo telefônico da Espada & Cruz, um confinado minúsculo no meio da área do escritório frontal. Estava longe de ser privado, mas ninguém estava ali vadiando. Seus braços continuavam doloridos por causa da detenção do dia anterior no cemitério, o orgulho dela continuava ferido da fuga de Daniel no instante em que eles foram puxados para baixo da estátua. Mas por quinze minutos, Luce estava tentando tirar tudo aquilo de sua mente para absorver cada palavra alegremente frenética que sua melhor amiga poderia cuspir para fora no tempo repartido. Era tão bom ouvir a voz estridente de Callie que Luce nem ligava que ela estivesse gritando.
“Nós prometemos que não nos ficaríamos sem nos falar nem uma hora,” Callie continuou, acusadora. “Eu pensei que alguém te comeu viva! Ou então eles talvez te prenderam na solitária em uma dessas camisas de força que você tem que mastigar através da manga para coçar seu rosto. Por tudo que eu sei, você poderia ter caído num desses nonos círculos de...”
“Okay, mãe,” Luce disse, rindo e exercendo o papel de instrutora de respiração de Callie. “Relaxe.” Por um milésimo de segundo, ela se sentiu culpada por não ter usado sua única ligação telefônica para ligar para sua mãe de verdade. Mas ela sabia que Callie iria se descabelar se ela descobrisse que Luce não havia agarrado a primeira oportunidade de entrar em contato. E de um jeito estranho, era sempre tranquilizador ouvir a voz histérica de Callie. Era uma das muitas razões que as duas eram uma boa dupla: a paranóia acima do normal de sua melhor amiga na verdade tinha um efeito calmante em Luce. Ela poderia apenas visualizar Callie em seu dormitório na Dover, acariciando seu tapete laranja, com Oxy espalhado sobre sua zona T e espumas de pedicure separando seus dedos dos pés pintados com esmalte fúcsia ainda molhado.
“Não me chame de mãe!” Calle bufou “Comece a falar. Como são os outros por aí? São todos assustadores e disparam diuréticos como nos filmes? E suas aulas? Como é a comida?”
Através do telefone, Luce podia ouvir Roman Holiday tocando ao fundo na tv de Callie. A cena favorita de Luce sempre foi aquela que Audrey Hepburn acorda no quarto de Gregory Pack, ainda convencida que a noite anterior foi um sonho. Luce fechou os olhos e tentou visualizar a cena em sua mente. Mimetizando o sussurro sonolento de Audrey, ela citou a fala que ela sabia que Callie ia reconhecer: “Havia um homem, ele era tão mal pra mim. Isso era maravilhoso.”
“Okay, Princesa, é sobre a sua vida que eu quero ouvir.” Callie importunou.
Infelizmente, não havia nada sobre a Espada & Cruz que Luce consideraria descrever como maravilhoso. Pensando sobre Daniel, pela, oh, oitagésima vez no dia, ela percebeu que o único paralelo entra sua vida e Roman Holiday era que Audrey também tinha um cara que era agressivelmente rude e desinteressado nela. Luce descansou sua cabeça sobre o linóleo bege das paredes do cubículo. Alguém havia esculpido as palavras ESPERANDO MINHA VEZ. Em circunstâncias normais, isso seria quando Luce falaria tudo sobre Daniel para Callie.
Exceto, por uma razão, ela não fez.
O que quer que ela desejasse dizer sobre Daniel não seria baseado em nada que realmente aconteceu entre eles. E Callie sempre foi boa em fazer os garotos perceberem o quanto eram dignos de você. Ela gostaria de saber coisas sobre como quantas vezes ele abriu a porta para Luce ou se ele tinha percebido quão bom era seu sotaque francês. Callie não achava que havia nada de errado com os caras inexperientes que escreviam poemas de amor que Luce nunca levou a sério. Luce pensou em várias coisas para dizer sobre Daniel. E na verdade, Callie estaria mais interessada em ouvir sobre alguém como Cam.
“Bom, tem um cara aqui” Luce sussurrou para o telefone.
“Sabia!” Callie guinchou. “Nome.”
Daniel. Daniel. Luce pigarreou. “Cam.”
“Direto, sem complicações. Eu posso lidar com isso. Comece do começo.”
“Bom, nada aconteceu ainda.”
“Ele acha que você é maravilhosa e blá blá blá. Eu te disse que o cabelo curto ia te deixar como a Audrey. Vamos para a parte boa.”
“Bem -” Luce interrompeu. O som de passos na sala a calaram. Ela inclinou-se para o lado do cubículo e esticou seu pescoço para ver quem estava interrompendo os melhores quinze minutos que ela estava tendo em três dias inteiros.
Cam estava andando na direção dela.
Falando do diabo. Ela engoliu as horríveis palavras falhas na ponta de sua língua: Ele me deu a paleta da guitarra. Ela ainda o tinha dentro do bolso.
O comportamento de Cam era casual, como se por algum golpe de sorte ele não tivesse escutado o que ela havia dito. Ele parecia ser o único aluno da Espada & Cruz que não tirava seu uniforme escolar no minuto seguinte que a aula acabasse. Mas o visual preto-no-preto parecia feito para ele, tanto quanto fazia Luce parecer a menina do caixa da mercearia.
Cam estava rodando um relógio de bolso dourado, que balançava a partir de uma longa cadeia laçada em volta de seu dedo indicador. Luce seguiu aquele brilhante arco por um momento, um pouco hipnotizada, até que Cam agarrou a face do relógio para parar em seu punho. Ele olhou para baixo para ver isso, e depois olhou para ela.
“Desculpe” seus lábios se contorceram confusos. “Eu pensei que eu estava com a ligação de sete horas.” Ele encolheu. “Mas eu devo ter escrito isso errado.”
O coração de Luce pulou quando ela olhou para seu próprio relógio. Ela e Callie haviam falado apenas quinze palavras uma para a outra – como seus quinze minutos já podiam ter acabado?
“Luce? Oi?” Callie parecia impaciente do outro lado da linha. “Você está sendo estranha. Tem alguma coisa que você não está me contando? Você já me substituiu por algum cortador de escola reformatória? E o cara?”
“Shh” Luce assobiou no telefone. “Cam, espere,” ela disse, segurando o telefone longe de sua boca. Ele já estava meio caminho da porta. “Só um segundo. Eu estava...” Ela engoliu “Eu estava só me despedindo.”
Cam deslizou seu relógio de bolso para dentro da parte da frente de seu blazer preto e se duplicou em relação a Luce. Ele ergueu seus olhos castanhos e riu alto quando ouviu a voz de Callie crescer do telefone. “Não pense em desligar. Você não me contou nada! Nada!”
“Eu não quero por ninguém pra fora.” Cam brincou, gesticulando para o telefone que ladrava. “Pegue minha ficha, você pode me devolver qualquer dia desses.”
“Não.” Luce disse rapidamente. Da mesma forma que ela queria continuar falando com Callie, ela imaginou que Cam sentia do mesmo jeito em relação a quem quer que ele fosse telefonar. E diferente de várias pessoas na escola, Cam não havia sido nada mais que legal com ela. Ela não queria o fazer abrir mão de seu turno no telefone, especialmente agora, que ela estava nervosa sobre fofocar com Callie a respeito dele.
“Callie” ela disse, suspirando no telefone. “Eu tenho que ir. Eu ligo logo assim que -” Mas então só havia o vago zumbido do tom de discagem em seu ouvido. O telefone havia sido programado para ser usado apenas por quinze minutos. Agora ela podia ver o pequeno contador marcando 0:00 em sua base. Elas nem haviam se despedido e agora ela teria que esperar mais uma semana inteira para ligar. Horário estendido na mente Luce é como um abismo sem fim.
“Melhor amiga?” Cam perguntou, entrando no cubículo ao lado de Luce. Seus suas sobrancelhas continuavam arqueadas. “Eu tenho três irmãs mais novas, eu posso praticamente cheirar a vibração de melhores amigas ao telefone.” Ele se inclinou para frente como se ele fosse cheirar Luce, o que a fez soltar um riso abafado... E depois congelar. A aproximação inesperada dele fez o coração dela pular.
“Deixe-me ver” Cam endireitou-se para trás e levantou o queixo. “Ela quer saber tudo sobre os bad boys de escolas reformatórias?”
“Não!” Luce sacudiu a cabeça para provar veementemente que caras não estavam na sua mente de qualquer forma... Até que ela percebeu que Cam estava apenas brincando. Ela corou e fez uma piada de volta. “Eu quis dizer, não há nenhum solteiro bom aqui.”
Cam piscou. “Precisamente o que deixa isso tão excitante. Você não acha?” Ele tinha um jeito de permanecer muito quieto, o que fazia Luce ficar muito quieta, o que fazia o tique-taque do relógio de bolso dentro do blazer dele parecer mais alto do que possivelmente poderia ser.
Congelada próxima de Cam, Luce de repente estremeceu quando alguma coisa preta atacou violentamente a sala. A sombra parecia jogar amarelinha entre os painéis do teto de um jeito bem cauteloso, preenchendo um quadrado e depois o outro, e depois o outro. Maldição. Nunca seria bom estar sozinha com alguém – especialmente alguém que estivesse centrado nela como Cam estava naquele momento – quando as sombras vinham. Ela podia sentir espasmos, tentando parecer calma enquanto as sombras negras giravam em torno do ventilador de teto, dançando. Sozinha ela poderia ter resistido. Talvez. Mas as sombras também estavam fazendo os piores de seus terríveis barulhos, um som que Luce havia escutado quando ela viu uma coruja bebê cair de uma árvore e sufocar até a morte. Ela queria que Cam apenas parasse de olhar para ela. Ela queria que alguma coisa acontecesse para chamar sua atenção. Ela desejava -
Daniel Grigori.
E então ele apareceu. Salva pelo maravilhoso cara usando jeans rasgados e uma camiseta branca surrada. Ele não parecia muito com a salvação – desleixado sobre sua pesada pilha de livros da biblioteca, olheiras cinzas embaixo de seus olhos cinzas. Daniel parecia estar meio acabado. Seu cabelo loiro caía encima de seus olhos, e quando eles se fixaram em Luce e Cam, Luce os viu se estreitarem. Ela estava tão ocupada se lamuriando sobre o que havia feito para incomodar Daniel dessa vez, que ela nem percebeu a coisa momentânea que aconteceu: um segundo depois que a porta se fechou atrás dele, as sombras deslizaram sobre a porta e foram para a noite. Era como se alguém houvesse tirado um vácuo e limpado toda a sujeira da sala.
Daniel apenas assentiu em sua direção e não desacelerou enquanto ele passava.
Quando Luce olhou para Cam, ele estava observando Daniel. Ele se virou para Luce e disse, mais alto do que o necessário, “Eu esqueci de te dizer. Terá uma pequena festa no meu quarto essa noite depois da social. Eu amaria se você fosse.”
Daniel continuava escutando. Luce não fazia idéia do que era essa social que todo mundo ficava resmungando sobre, mas ela supostamente tinha que encontrar com Penn depois. Elas supostamente tinham que andar juntas.
Seus olhos estavam fixos nas costas da cabeça de Daniel, e ela sabia que tinha que responder a Cam sobre sua festa, e isso não deveria ser tão difícil, mas quando Daniel se virou e olhou para ela com um olhar que ela jurava ser cheio de lamentos, o telefone atrás dela começou a tocar, e Cam o alcançou e disse “Eu tenho que atender, Luce. Você estará lá?”
Quase imperceptivelmente, Daniel assentiu.
“Sim,” Luce disse para Cam. “Sim.”
“Eu continuo sem saber porque temos de correr.” Luce estava ofegando vinte minutos depois. Ela tentou alcançar Penn quando elas se misturaram através da área comum do auditório para a misteriosa Social de Quarta-feira à Noite, que Penn ainda não havia explicado. Luce mal teve tempo o suficiente para subir em seu quarto, colocar gloss e seu melhor jeans, apenas para o caso de ser aquele tipo de social. Ela ainda estava tentando acalmar sua respiração depois de sua corrida com Cam e Daniel quando Penn entrou no seu quarto para arrasta-la para fora da porta de novo.
“Pessoas que são cronicamente lentas nunca entendem as várias maneiras que elas estragam os horários das pessoas que são pontuais e normais.” Penn falou para Luce quando elas espirraram em meio de uma poça em particular no gramado.
“Ha!” Uma gargalhada explodiu atrás delas.
Luce olhou para trás e sentiu seu rosto se iluminar quando ela viu o corpo magro e pálido de Arriane se juntar à elas.
“Qual charlatão disse que você é normal, Penn?” Arriane cutucou Luce e apontou para baixo. “Atenção para a areia movediça!”
Luce patinou e parou um pouco antes de ficar aterrada em um trecho lamacento do terreno. “Alguém por favor me diz onde a gente está indo!”
“Noite de quarta.” Penn disse terminantemente. “Noite social.”
“Como... um baile ou algo assim?” Luce perguntou, visões de Daniel e Cam de movendo pela pista de dança de sua mente.
Arriane piou. “Uma dança com morte por tédio. O termo 'social' é típico do duplo sentido da Espada & Cruz. Veja, eles requerem planejar eventos sociais pra gente, mas eles também ficam aterrorizados com eventos sociais para nós. Escolha difícil.”
“Então em vez disso,” Penn continuou “eles tem esses horríveis eventos como seções pipocas seguidas por palestras sobre os filmes, ou – Deus, você se lembra do último semestre?”
“Que teve aquele simpósio inteiro sobre taxidermia?”
“Tão, tão arrepiante.” Penn sacudiu a cabeça. 3 jan Iris
“Essa noite, minha querida” Arriane a puxou “Nós caímos fora fácil. Tudo o que nós temos que fazer é roncar durante um dos três filmes em exibição na videoteca da Espada & Cruz. O que você acha que teremos essa noite, Penny Vadia? Starman? Joe versus the volcano? Ou Weekend at Bernie's?
“É Starmen.” Penn gemeu.
Arriane lançou à Luce um olhar perplexo. “Ela sabe de tudo.”
“Aguenta firme.” Luce disse, na ponta dos pés em volta da areia movediça e abaixando o volume da sua voz quando se aproximaram da escritório da escola. “Se vocês todas viram esses filmes tantas vezes pra quê a pressa de chegar lá?”
Penn empurrou as pesadas portas de metal para o “auditório”, enquanto, Luce percebeu, havia um eufemismo para um quarto normal, velho e com teto baixo aplainado e cadeiras dispostas à frente de uma parede em branco.
“Não queira ficar presa no assento quente perto do Sr. Colem,” Arriane explicou, apontando para o professor. Seu nariz estava enterrado profundamente dentro de um grosso livro, e ele estava rodeado pelas poucas cadeiras restantes na sala.
Quando as três garotas passaram pelo detector de metais na porta, Penn disse, “Qualquer um que sentar lá tem que passar a inquéritos sobre a saúde 'mental' semanal dele.”
“O que não seria tão ruim...” Arriane continuou.
“Se você não tivesse que ficar até mais tarde para analisar os 'achados'.” Penn terminou.
“Assim, em falta,” Arriane disse com um sorriso largo direcionando Luce para a segunda fila enquanto ela sussurrava. “A pós festa.”
Finalmente elas chegaram no coração do problema. Luce riu.
“Eu ouvi sobre isso.” ela disse, sentindo um pouco com ela para uma mudança. “É no quarto do Cam, certo?”
Arriane olhou para Luce por um segundo e rolou sua língua sobre seus dentes. Então ela olhou para além de Luce, quase através dela. “Ei Todd”, ela chamou, acenando apenas com a ponta dos dedos. Ela empurrou Luce para um dos assentos, reinvindicou o assento seguro ao lado dela (permanecendo dois assentos abaixo do Sr. Cole), e afagou o assento quente ao seu lado. “Venha sentar conosco, T-Man.”
Todd, que estava mudando o peso do seu corpo no caminho da porta, pareceu extremamente aliviado de ser direcionado, qualquer direção. Ele começou atrás delas, engolindo. Tão logo que ele que ele foi atrapalhado para seu lugar, o Sr. Cole olhou por cima de seu livro, limpou seus óculos em seu lenço e disse, “Todd, estou feliz que você está aqui. Eu estava me perguntando se você poderia me ajudar com um pequeno favor depois do filme. Você pode ver, o diagrama de Venn é uma ferramenta muito usual para...”
“Ruim.” Penn colocou seu rosto entre Arriane e Luce.
Arriane deu de ombros e tirou um saco gigante de pipoca de sua bolsa de sua bolsa de viagem. “Eu só posso olhar por alguns estudantes novos,” ela disse, lançando uma amêndoa amanteigada para Luce. “Sorte sua.”
Enquanto as luzes da sala se esmaeciam, Luce olhou em volta até seus olhos se estacionarem em Cam. Ela pensou sobre sua abreviada sessão no telefone com Callie e como sua amiga sempre disse que assistir um filme com um garoto era o melhor jeito de saber coisas sobre ele, coisas que talvez nunca viriam a tona em uma conversa. Olhando para Cam, Luce pensou que ela sabia o que Callie queria dizer: há algum tipo de emoção em observar pelo canto do olho para ver qual piada Cam acha divertida, para se juntar a sua risada por si mesma. 3 jan Iris
Quando o olho dele encontrou o dela, Luce sentiu um instinto estranho de olhar distante. Mas então, antes que ela pudesse, a face de Cam se iluminou em um largo sorriso. Isso fez ela parecer notavelmente pertubada por ser pega olhando. Quando ele colocou suas mãos num aceno, Luce não ajudou, pensando sobre como a oposição aconteceu exatamente alguns minutos que Daniel tinha travado seu olhar nele.
Daniel entrou com Rolland, tarde o suficiente para que Randy já tivesse contado as cabeças, tarde o suficiente para que os únicos assentos restantes eram no chão na frente da sala. Ele passou sobre o feixe de luz do projetor e Luce notou pela primeira vez a corrente de prata nas costas de seu pescoço e algum tipo de medalhão enfiado dentro de sua camisa. Então ele mergulhou completamente para fora de sua visão. Ela não podia nem ao menos ver seu perfil.
Como já haviam despejado, Starman não foi muito legal, mas os outros estudantes fazendo imitações de Jeff Bridge eram. Foi difícil para Luce focar no enredo. Além disso, ela estava tendo essa desconfortável sensação congelante atrás de seu pescoço. Alguma coisa estava prestes a acontecer.
Quando as sombras vieram dessa vez, Luce estava esperando por elas. Então, ela começou a pensar sobre isso e contou com os dedos. As sombras estavam aparecendo em um ritmo cada vez mais alarmante, e Luce não conseguia saber se ela estava apenas nervosa na Espada & Cruz... Ou se isso significava algo a mais. Elas nunca haviam sido tão ruins assim.
Elas vazaram por cima do auditório, então deslizaram pelos cantos da tela de projeção, e finalmente traçaram as linhas do assoalho como tinta derramada. Luce agarrou o assento de sua cadeira e sentiu o sofrimento causado pelo medo inchar através de seus braços e pernas. Ela apertou todos os músculos de seu corpo, mas ela não podia evitar tremer. Um tapinha no seu ombro esquerdo a fez olhar para Arriane.
“Você está bem?” Arriane sussurrou.
Luce assentiu e abraçou seus ombros, fazendo parecer que estava apenas com frio. Ela desejava que estivesse, mas esse calafrio em particular não tinha nada a ver com o ar-condicionado super potente da Espada & Cruz.
Ela podia sentir as sombras rebocando sob seus pés, abaixo da cadeira. Elas permaneceram assim, paradas pelo filme inteiro, e cada minuto parecia uma eternidade.

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Uma hora mais tarde, Arriane pressionou seu olho contra o olho mágico da porta pintada de bronze do quarto de Cam no dormitório. “Yo-hoo” ela cantou, dando risadinhas. “A alma da festa está aqui!”
Ela tirou um boá de penas rosas da mesma sacola mágica de onde o saco de pipocas veio. “Me dê uma mãozinha,” ela disse para Luce, colocando um dos pés no ar.
Luce cruzou seus dedos e os posicionou debaixo das botas pretas de Arriane. Ela assistiu, enquanto Arriane se empurrava para fora do solo e usava o boá para cobrir a lente da câmera de segurança do corredor, quando ela chegou em torno da parte traseira do dispositivo e desligou-o.
“Isso não é suspeito, ou algo assim,” Penn disse.
“Seus fiéis dormem com a pós festa?” Arriane revidou. “Ou a festa das câmeras?”
“Eu só estou dizendo que há modos mais inteligentes,” Penn bufou enquanto Arriane descia. Arriane lançou o boá sobre os ombros de Luce, e Luce riu e começou a vibrar com a canção de Motown* que eles podiam ouvir através da porta. Mas quando Luce ofereceu o boá para Penn, ela ficou surpresa por ver que ela continuava nervosa. Penn estava roendo suas unhas e suando pelas sobrancelhas. Penn vestia seis suéteres no pantanoso calor sulista de Setembro – ela nunca estava com calor.
* Motwon Records é uma gravadora americana, que nos anos 60 ficou conhecida por um estilo de soul característico, produzido por eles. Jackson Five, Drake Bell e Stevie Wonder tiveram músicas gravadas nessa gravadora.
“O que está errado?” Luce sussurrou, inclinando-se.
Penn puxou a ponta de sua manga e deu de ombros. Ela parecia estar prestes a responder quando a porta atrás deles se abriu. Uma onda de fumaça de cigarro, jato de música, e de repente Cam abriu os braços, cumprimentando elas.
“Você fez isso,” ele disse, sorrindo para Luce. Mesmo na luz turva, os lábios dele tinham um brilho manchado de cereja. Quando ele a puxou para um abraço, ela se sentiu minúscula e segura. Isso durou apenas um segundo; então ele acenou para dar oi para as outras duas garotas, e Luce se sentiu um pouco orgulhosa por ser a única que ganhou um abraço.
Atrás de Cam, o pequeno, escuro quarto estava abarrotado de pessoas. Roland estava em um canto, na mesa giratória, levantando cds para uma luz negra. O casal que Luce tinha visto na quadra uns dias atrás estava se agarrando contra a janela. Os caras estilosos* com as camisas oxford brancas estavam todos amontoados no mesmo círculo, ocasionalmente dando uma olhada nas garotas. Arriane não perdeu tempo fuzilando através do quarto até a escrivaninha de Cam, que parecia estar sendo usada como um bar. Quase imediatamente, ela tinha uma garrafa de champanhe entre suas pernas, e ria enquanto tentava abrir a garrafa.
* No original está preppy boys, que são caras que vestem camisas polo tipo Lacoste, usam cores fluorescentes e são tachados de esnobes pela maioria das pessoas, por causa do estilo que se vestem. O nome veio porque a maioria estuda em escolas preparatórias (conhecidas como Prep = Preparatory)
Luce estava perplexa. Ela nunca soube como pegar bebidas alcóolicas em Dover, onde o mundo exterior tinha sido muito menos fora dos limites. Cam estava de volta a Espada & Cruz apenas há poucos dias, mas ainda assim, ele parecia saber como conseguir tudo que ele precisava para ter um soirée digno de Dioniso, onde a escola toda apareceu. 3 jan Iris
Ainda na entrada, ela ouviu o estalo, então os vivas do resto da multidão, então a voz de Arriane chamando: “Luciiiiinda venha cá. Eu estou prestes a fazer um brinde!”
Luce pode sentir o magnetismo da festa, mas Penn parecia menos pronta a se mover.
“Você vai em frente,” ela disse, balançando a mão para Luce.
“O que há de errado? Você não quer entrar?” A verdade era, Luce mesma estava um pouco nervosa. Ela não fazia a menor idéia o que poderia acontecer com essas coisas, e desde que ela não tinha tanta certeza o quão confiável Arriane era, definitivamente a faria melhor ter Penn ao seu lado.
Mas Penn fez uma carranca. “Eu estou... Estou fora do meu mundo. Eu fico na biblioteca, dou aulas de como usar o Power Point. Você precisa hacker alguém, eu sou a garota. Mas isso...” Ela ficou na ponta dos pés e espreitou para dentro da sala. “Eu não sei. As pessoas lá dentro pensam que eu sou daquele tipo sabe-tudo.”
Luce lançou para ela o melhor olhar dá-um-tempo. “E eles acham que eu sou um bolo de carne, e nós pensamos que eles são totalmente uns bananas.” Ela riu. “Nós não podemos simplesmente ir em frente?”
Lentamente, Penn enrolou o lábio, então pegou o boá de penas e enrolou em volta dos seus ombros. “Oh, tudo certo,” ela disse, entrando à frente de Luce.
Luce piscou enquanto seus olhos se ajustavam. Uma cacofonia encheu o quarto, mas ela podia ouvir as risadas de Arriane. Cam fechou a porta atrás delas e pegou a mão de Luce, então ela tirou, longe do resto da festa.
“Eu estou muito feliz que você veio,” ele disse, colocando a mão nas costas dela e inclinando a cabeça, então ela o podia ouvir no quarto barulhento. Os lábios dele pareciam apetitosos, especialmente quando ele dizia coisas como “Eu pulava toda vez que alguém batia na porta, esperando que fosse você."
O que quer que tenha ligado Cam a ela tão rápido, Luce não queria fazer nada para mudar isso. Ele era popular e inesperavelmente pensativo, e a atenção dele a fez sentir mais do que lisonjeada. A fez se sentir mais confortável nesse estranho e novo lugar. Ela sabia se ela tentasse responder ao seu elogio, ela iria tropeçar sobre as palavras. Então, ela apenas riu, o que o fez rir também, então ele a envolveu em mais um abraço.
De repente, não havia outro lugar para por as mãos além do pescoço dele. Ela sentiu um pouco aliviada enquanto Cam a apertava, a fazendo tirar os pés do chão.
Quando ele a colocou de volta, Luce se virou para o resto da festa, e a primeira coisa que ela viu foi Daniel. Mas ela não achava que ele gostava de Cam. Contudo, ele estava sentado de pernas cruzadas na cama, a camiseta branca brilhando violeta por causa da luz negra. Logo que seus olhos encontraram os dele, ficou difícil olhar para alguém mais. O que não fazia sentido, porque um cara deslumbrante e amigável estava parado logo atrás dela, perguntando o que ela gostaria de beber. O outro cara maravilhoso, infinitamente menos amigável, sentado na frente dela, não podia ser o único que ela não podia parar de olhar. E ele a estava fitando. Tão atentamente, com um secreto, furtivo olhar nos seus olhos, que Luce pensou que nunca ia decodificar, mesmo que o visse centenas de vezes.
Tudo que ela sabia era o efeito que isso causava nela. Todos os outros na sala pareciam fora de foco e ela derreteu. Ela poderia ficar olhando de volta toda noite, se não fosse Arriane, que escalou para o topo da mesa e gritou por Luce, seu copo erguido no ar.
“Para Luce,” ela brindou, lançando à Luce um sorriso inocente. “Que obviamente está zoneando e perdeu meu discurso inteiro de boas-vindas e que nunca vai saber o quão fabuloso foi – não foi fabuloso, Ro?” ela inclinou-se para perguntar a Roland, que acariciou seu tornozelo, afirmando.
Cam deslizou um copo de plástico cheio de champanhe para a mão de Luce. Ela corou e tentou rir enquanto o resto da festa ecoava: “Para Luce! Para o Bolo de Carne!”
Ao lado dela, Molly deslizou e sussurrou uma versão curta em sua orelha: “Para Luce, que nunca vai saber.”
Alguns dias antes, Luce teria vacilado. Essa noite, ela simplesmente rolou os olhos, então deu as costas para Molly. A garota nunca falara nenhuma palavra que não fizesse Luce se sentir ofendida, mas mostrar isso só parecia incita-la. Então Luce apenas se agachou para compartilhar a cadeira da mesa com Penn, que deu para ela um cordão de alcaçuz preto.
“Você pode acreditar? Eu acho que eu finalmente estou me divertindo,” Penn disse, digerindo a alegria.
Luce mordeu o alcaçuz e tomou um pequeno gole do espumante champanhe. Uma combinação não muito saborosa. Quase como ela e Molly. “Então, Molly é esse diabo com todo mundo ou eu sou um caso especial?”
Por um segundo, Penn pareceu que daria uma resposta diferente, mas então ela afagou as costas de Luce. “Só o charme do seu comportamento usual, minha querida.”
Luce olhou em volta do quarto, com toda a circulação livre de champanhe, para a extravagante mesa giratória de Cam, para a globo espelhado rodando acima das cabeças, pedaços de estrelas no rosto de todo mundo.
“Onde que eles conseguem todas essas coisas?” Ela perguntou em voz alta.
“As pessoas dizem que Roland pode colocar qualquer coisa dentro da Espada & Cruz,” Penn disse naturalmente. “Não que eu já tenha perguntado para ele.”
Talvez seja isso que Arriane quis dizer quando ela disse que Roland sabia como conseguir coisas. A única coisa fora dos limites má o suficiente que Luce podia imaginar era perguntar sobre um celular. Mas então... Cam havia dito para não ouvir Arriane sobre os trabalhos secretos da escola. O que teria sido bom, exceto que boa parte dessa festa parecia ser cortesia de Roland.
Quanto mais ela tentava desvendar suas questões, menos coisas se encaixavam. Ela provavelmente só estava chocada por estar “dentro” o suficiente para ser convidada para festas.
“Certo, todos vocês rejeitados,” Roland disse, lentamente, para ter a atenção de todo mundo. O toca-discos tinha acalmado para o estático entre músicas. “Nós vamos começar o espaço aberto da noite, e eu estou solicitando pessoas para o karaokê.”
“Daniel Grigori” Arriane piou através de suas mãos.
“Não!” Daniel piou de volta, sem perder o ritmo.
“Aw, o silencioso Grigori sente-se fora.” Roland disse, no microfone. “Você tem certeza que não quer fazer sua versão de 'Hellhound on My Trail'?”
“Eu creio que essa é sua música, Roland,” Daniel disse. Um sorriso se espalhou pelos seus lábios, mas Luce sentiu que era um sorriso embaraçado, um sorriso de alguém-por-favor-pegue-os-holofotes.
“Ele tem um ponto, galera.” Roland riu. “Eu acho que o karaokê Robert Johnson sabe como limpar uma sala” Ele arrancou um álbum de R.L. Burnside da pilha e colocou toca-discos do canto. “Vamos para o Sul de vez.”
Enquanto as notas de baixo de uma guitarra elétrica começavam, Roland assumiu o centro do palco, que estava apenas a poucos metros quadrados do espaço iluminado pela luz da lua, no meio do quarto. Todos em volta estavam batendo palma ou batendo os pés no tempo, mas Daniel estava olhando para seu relógio. Ela continuava vendo a imagem dele assentindo para ela no lobby mais cedo aquela noite, quando Cam a convidou para a festa.
Se ela apenas pudesse ficar a sós com ele...
Roland estava monopolizando a atenção dos convidados, que apenas Luce percebeu quando, no meio da canção, Daniel levantou-se, moveu-se em torno de Molly e Cam, e saiu silenciosamente pela porta.
Essa era a chance dela. Enquanto todos a sua volta estavam aplaudindo, Lucy levantou-se devagar.
“Bis!” Arriane gritou. Então, percebendo Luce se levantar da cadeira, ela disse, “Oh, espertinha, é a minha garota se levantando para cantar?”
“Não!” Luce não queria cantar nesse quarto cheio de pessoas tanto quanto ela não queria admitir a razão pela qual ela estava se levantando no meio da primeira festa dela na Espada & Cruz, com Roland empurrando o microfone abaixo de seu queixo. Agora o que?
“Eu – Eu só estou me sentindo mal por, uh, Todd. Porque ele está perdendo isso,” A voz de Luce ecoou de volta para ela por cima dos alto-falantes. Ela já estava lamentando sua mentira ruim, e o fato de que não havia retorno agora. “Eu acho que vou descer e ver se ele já terminou com o Sr. Cole.”
Nenhum dos outros jovens parecia saber o que fazer com isso. Apenas Penn falou, timidamente, “Volta rápido!”
Molly estava dando um sorriso afetado para Luce. “Amor nerd,” ela disse, fingindo uma falsa síncope “Tão romântico.”
Espera, eles achavam que ela gostava de Todd? Oh, quem liga – a única pessoa que Luce não queria que pensasse isso era a única pessoa que ela estava tentando seguir do lado de fora.
Ignorando Molly, Luce fugiu para a porta, onde Cam a encontrou com os braços cruzados. “Precisa de companhia?” ele perguntou, esperançoso.
Ela balançou a cabeça. Em outra situação, ela provavelmente gostaria da companhia de Cam. Aas não agora.
“Eu volto logo,” ela disse, brilhantemente. Antes que ela pudesse registrar o desapontamento no rosto dele, ela deslizou para o corredor. Após o murmurinho da festa, o silêncio soou em suas orelhas. Levou um segundo antes que ela pudesse perceber vozes logo na curva do corredor.
Daniel. Ela reconheceria essa voz em qualquer lugar. Mas ela não tinha certeza quem estava falando com ele. Uma garota.
“Hm... Desculpe,” qualquer coisa que ela tenha dito... Com um som nasalado sulista.
Gabbe? Daniel havia saído para ver a loira e escovada Gabbe?
“Isso não vai acontecer de novo,” Gabbe continuou, “Eu juro -”
“Isso não pode acontecer de novo,” Daniel sussurrou, mas seu tom praticamente gritava “Você prometeu que estaria aqui e você não estava.”
Onde? Quando? Luce estava agonizando. Ela avançou ao longo do corredor, tentando não fazer barulho.
Mas os dois caíram no silêncio. Luce podia imaginar Daniel pegando a mão de Gabbe. Podia imaginar ele inclinando-se para ela em um longo, profundo beijo. Uma camada de inveja a consumiu em volta do peito de Luce. Do outro lado do corredor, um deles suspirou.
“Você vai ter que confiar em mim, querido,” ela escutou Gabbe dizer, em uma voz sacarina que fez Luce decidir de uma só vez que a odiava. “Eu sou a única que você vai ter.”
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Re: Traduzido - Capítulo 5

Mensagem por nina em Sex Maio 14, 2010 8:36 pm

perfeito, como sempre
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